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| A exportação de couro caiu 24,01% em relação a 2012 |
Por conta da seca que
atinge o Nordeste brasileiro, a qualidade do couro de caprinos e ovinos
produzido no Ceará está abaixo da média histórica, prejudicando as
exportações para a Europa. Se, antes da estiagem, 70% do produto
atingiam classificações altas de excelência, hoje, esse índice não passa
de 30%. A situação preocupa os empreendedores, que buscam outros
mercados para amenizar os prejuízos.
Em janeiro deste ano, as
exportações relativas ao setor registraram queda de 24,1% em relação a
igual período de 2012, saindo de US$ 10,3 milhões para US$ 7,8 milhões.
"As
importações vêm sendo cada vez menores. E o quadro pode piorar, caso
não volte a chover", alerta a delegada do Sindicato da Indústria de
Curtimento de Couros e Peles no Estado do Ceará (Sindicouros), Roseane
Medeiros, também diretora da Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(Fiec).
Nas exportações, estão incluídos os couros de caprinos,
bovinos e ovinos. Porém, explica Roseane, a redução se deve, sobretudo,
às peles de caprinos e ovinos. Isso porque, no Estado, a maior parte do
couro bovino vem das regiões Norte e Centro-Oeste, que não são afetadas
pela seca. E o produto que chega ao Ceará é o chamado wet blue (que
passa por um processo inicial de curtimento para depois receber o
acabamento).
Ela também explica que a pele do boi é mais
encorpada e, com determinados recursos técnicos, é possível melhorar a
qualidade do material. Já a pele de caprinos e ovinos é finas, o que
torna mais difícil essa espécie de restauração do couro.
Defeitos na peleEmbora
sejam mais resistentes que os bovinos, ovinos e caprinos também sofrem
com a seca. Com alimentação e hidratação precárias, os animais acabam
sentindo as consequências, ficando, por exemplo, com defeitos na pele.
"A situação está impactando bastante a lucratividade das empresas. Os
produtores buscam outros mercados, mas vendem o couro a preços baixos,
que não cobrem o valor que gastam com o animal", diz.
Conforme
Roseane, para ovinos e caprinos, a classificação da qualidade do couro
vai de um a sete. Até o começo de 2012, 70% do produto eram
classificados de um a três, algo considerado bom para os negócios.
Atualmente,
cerca 85% do que é produzido no Estado estão entre quatro e sete na
escala. "O rebanho está muito afetado. As classes mais baixas dobraram
em relação à média histórica do Ceará", aponta a delegada.
No Brasil, couro está em altaDiferentemente
do Ceará, a situação nacional quanto à exportação de couro está em
alta. A exemplo dos meses de janeiro e fevereiro deste ano, o mês de
março registrou alta nas vendas ao mercado externo em relação a igual
período de 2012. O valor total exportado, em março de 2013, foi de US$
190 milhões, ou seja, 9,4% a mais do que março do ano passado.
De
acordo com dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior, do
Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, no
acumulado deste ano, o crescimento é de 17,1% em relação ao primeiro
trimestre de 2012, totalizando US$ 543,7 milhões contra US$ 464,3
milhões. Tal crescimento tem suporte por meio das ações setoriais
promovidas pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), em
parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos (Apex-Brasil), por meio do Projeto Brazilian Leather.
O
projeto - que promove o couro brasileiro em mercados, gerando negócios e
oportunidades para o país - tem incrementado ações para a qualidade dos
processos em indústrias de curtumes, aumentado a participação do Brasil
no mercado internacional e qualificando profissionais em busca de
resultados mais competitivos. A participação dos couros no total de
produtos brasileiros exportados passou de 0,8% para 1,1% no acumulado de
2013 em comparação a similar período do último ano.
reportagem de Raone Saraiva - Diário do Nordeste