quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Futuro do planeta em discussão


Rio+20 começa hoje

Aumento de emissões de gases causadores de efeito estufa, acúmulo de resíduos, diminuição rápida das reservas pesqueiras, ameaças à biodiversidade e falta de água potável para milhões de pessoas. Estes e outros pontos estarão no centro do debate mundial sobre sustentabilidade, que acontece de hoje a 23 de junho, no Rio de Janeiro - a chamada Rio+20.
Na reta final do encontro, 130 chefes de Estado e de governo estarão presentes. Até lá, será realizada a Cúpula dos Povos. Será quando dezenas de milhares de membros de ONGs, industriais, militantes e representantes de povos indígenas discutirão, sem as amarras da geopolítica mundial, a agenda eco-global. Esta será a quarta cúpula de desenvolvimento sustentável da história, depois das de Estocolmo em 1972, do Rio de Janeiro em 1992 e de Johannesburgo em 2002.
Os debates se concentrarão na “economia verde” - energias renováveis, separação de resíduos, construções produtoras de energia -, no reforço de instâncias mundiais de decisão e no eventual estabelecimento de “metas de desenvolvimento sustentável” mensuráveis e ambiciosas. “Um verdadeiro programa de resgate mundial”, resumiu o encarregado de uma ONG. “Não há espaço para dúvida” nem para “a paralisia da indecisão”, disse Achim Steiner, diretor-geral do Pnuma.
Mas a desconfiança impera. Nas negociações informais sobre o acordo que os participantes deverão assinar em 22 de junho, cada país e cada grupo de interesse defendeu suas posições com veemência. Ao encerrar a última rodada, em 2 de junho, os delegados só tinham alcançado acordos sobre 70 dos 329 pontos de discussão (21% do total). E a maioria versava sobre generalidades certamente consensuais.
As divergências continuaram vivas, no entanto, sobre assuntos essenciais, como mudanças climáticas, oceanos, alimentação e agricultura, assim como na definição de metas, transferências de tecnologia e economia verde.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na semana passada que os governos mostrassem mais flexibilidade, ao indicar que os problemas do futuro do planeta “devem se antepor aos interesses nacionais ou aos interesses de grupos”.
Para o diretor-geral da ONG Fundo Mundial para a Natureza (World Wild Fund, em inglês), Jim Leape, “há dois cenários possíveis: um acordo tão limitado que careceria de sentido ou um fracasso total”. Muitos participantes lembram com nostalgia do entusiasmo gerado pela Cúpula da Terra de duas décadas atrás e que hoje parece difícil ressuscitar. 

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